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Small caps: confira as principais apostas dos gestores para 2010

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Small caps: confira as principais apostas dos gestores para 2010

Por: Equipe InfoMoney
26/01/10 - 11h50
InfoMoney


SÃO PAULO – Depois de um 2008 de forte penalização em função das turbulências nos mercados – afinal, em tempos de crise, ninguém quer apostar em papéis de pouca liquidez -, as small caps desfrutaram de um 2009 mais que lucrativo.

Ainda que “recuperação” tenha sido a palavra-chave para grande parte das aplicações, o segmento destacou-se entre os demais no ano passado. Ao passo que a valorização registrada pelo Ibovespa no período foi de 82,6% - alta já bastante expressiva, é verdade -, o SMLL (índice small caps da BM&F Bovespa) marcou uma disparada de 137,53%.

Explicar tamanho desempenho não é difícil. “Esses papéis foram excessivamente descontados no auge da crise”, ponderam os gestores da BB DTVM. Mas e para 2010, ainda há espaço para maiores valorizações? “Não necessariamente. A questão é que agora não temos as barganhas que tínhamos logo depois do ápice da crise”, diz Laura Bartelle, gestora da XP Investimentos.

“Esse ano as análises terão de ser mais criteriosas, encontrar grandes oportunidades vão exigir maior dedicação do investidor”, reitera Bartelle. O segredo, para ela e para a equipe de gestores da Fama, está em saber selecionar os setores e ativos mais promissores.

Diretrizes
Investir em small caps é promissor, mas antes de sair montando portfólios, o investidor deve certificar-se de que o segmento se adequa ao seu perfil. O alerta parte da equipe da BB DTVM, mas é compartilhado também pelos gestores da Fama. “Aquele que compra small caps tem que ter um horizonte mais a longo prazo”, afirmam.

Como diretrizes na hora de selecionar os papéis, Leonardo Boguszewski, gestor do fundo de small caps do Paraná Banco Asset sugere olhar para o potencial da empresa e seu management. “Muitas vezes, ignoramos companhias por terem valor de mercado muito pequeno, mas com uma gerência competente, guiada por boas estratégias administrativas, elas podem reportar crescimentos surpreendentes”, afirma.

Outra dica que é consenso entre os gestores que cobrem as small caps brasileiras é que o investidor privilegie aqueles papéis mais voltados ao mercado doméstico. “Continuamos acreditando que a economia irá se manter aquecida e que as empresas ligadas ao plano doméstico terão um desempenho forte em termos de crescimento e qualidade operacional”, diz Bartelle.

Assim, os setores de varejo e imobiliário são alguns dos mais presentes entre as recomendações dos gestores consultados pela InfoMoney, “por justamente serem menos dependentes do crédito externo e da situação lá fora”, diz Eduardo Roche, da Modal Asset. “Todas nossas recomendações têm, de uma forma ou de outra, a ver com o bom momento da economia brasileira”, diz.

Abaixo, você confere algumas sugestões de papéis destacados pelos gestores consultados pela InfoMoney.

Drogasil
Para Eduardo Roche, o setor farmacêutico brasileiro é altamente promissor, por ser um setor ainda muito pulverizado e imaturo, com uma tendência de consolidação que tende a se confirmar ainda mais nos próximos anos. “Há muito espaço para um crescimento orgânico e duradouro”, diz.

A Drogasil (DROG3) é uma das favoritas a se beneficiarem deste cenário. “A empresa se destaca pela qualidade de seus resultados, e seu papel encontra-se bastante atrativo”, sugere Roche.

Estácio
Outra empresa atrelada ao setor de varejo a receber boas projeções de Roche é a Estácio (ESTC3). A escolha pode surpreender alguns investidores, já que a companhia passou por grandes dificuldades nos dois últimos anos, com um amplo processo de reorganização societária, “levando mais tempo para arrumar a casa do que se pensava”. Mas o gestor da XP aposta em um turnaround.

“Além de um claro potencial de crescimento orgânico, a empresa vem realizando boas aquisições em seu segmento”, observa Roche. Ademais, o gestor vê com bons olhos a perspectiva de lucros com a regulamentação concedida pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura) aos programas de ensino à distância no País.

Positivo
Um segmento que emplaca diversos papéis entre as sugestões de small caps entre os gestores é o de tecnologia – fortemente atrelado, seguindo a indicação inicial, ao mercado doméstico. A Positivo (POSI3), na visão da Laura Bartelle, é uma das melhores posicionadas em seu setor, “líder no mercado brasileiro de computadores há mais de quatro anos”.

Para a gestora da XP, a ação da Positivo tem tudo para continuar em alta, refletindo “aumentos consistentes de vendas, ganhos de share, elevação do crédito, desoneração fiscal para o setor de informática até 2014 e incentivos para a aquisição de computadores por escolas públicas”.

Bematech
Boguszewski também tem perspectivas positivas ao setor de tecnologia, mas elege como seu papel preferido o da Bematech (BEMA3). “Apostar na Bematech é apostar no crescimento brasileiro. E o papel está a níveis muito atrativos”, explica.

Ideiasnet
“Uma empresa que sofreu muito com os efeitos da crise, mas que deve mostrar forte recuperação dos resultados”. Assim Eduardo Roche resume sua aposta no papel da Ideiasnet (IDNT3), cujo portfólio tem como principais destaques a Padtec, inserida no setor de componentes óticos e sistemas, e a Officer, atuante no ramo de computadores.

Bartelle também vê com bons olhos as perspectivas em torno da Ideiasnet. “A Padtec recentemente fechou um contrato grande com a Oi e deve se beneficiar do projeto nacional de banda larga impulsionado pela Copa e Olimpíadas”, destaca.

Confab
Outro setor que marca presença nas recomendações dos gestores é o de petróleo, em evidência com as descobertas do pré-sal. Gestores apontam a atratividade do papel da Confab (CNFB4) como uma boa pedida para aqueles interessados no setor, que tem tudo para se beneficiar dos investimentos projetados em infraestrutura no País nos próximos anos.

Unipar
Uma notícia que mexeu com os mercados na última sexta-feira foi a venda da participação da Unipar (UNIP6) na Quattor, que trouxe os papéis da empresa a uma derrocada de nada menos que 5,88%. Enquanto o mercado reage negativamente à operação, Boguszewski do Paraná Banco Asset vê com bons olhos.

“Com a venda, a Unipar registra uma entrada de caixa muito interessante. A companhia tem valor e o papel, a meu ver, está excessivamente descontado”, afirma o gestor, especializado em small caps.

Ez Tec
Um setor frequentemente apontado como um dos grandes beneficiários do bom momento que vive a economia brasileira é o imobiliário. Não à toa, ele marca presença também nas recomendações dos gestores de small caps para 2010. Um dos papéis indicados é o da Ez Tec (EZTC3), “muito descontados”, como observa o gestor Eduardo Roche.

Roche destaca as taxas de rentabilidade que a empresa costuma apresentar em seus empreendimentos, “uma das maiores no mercado de imóveis do País”. Bartelle também se mostra otimista quanto à companhia, “que embora tenha previsão de lançamentos mais conservadores que as demais empresas, vem crescendo de forma sólida e sustentável”.

Battistella
Pouco conhecida de muitos investidores, a Battistella (BTTL4) é outra sugestão dada por Boguszewski. “A Battistella sofreu muito em 2008 com toda a questão dos derivativos cambiais, mas que aparenta estar com todos seus problemas sanados e que tem um management muito racional”, afirma o gestor.

Parte do otimismo de Boguszewski à empresa deve-se ao seu perfil de holding. A Battistella é a maior revendedora de caminhões Scania do País, ao mesmo tempo em que mantém atividades também nos ramos florestal e de logística. “Aposto no papel”, conclui o gestor.

 

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